15 Nov 2022

Sustentabilidade, energia e visão estratégia de negócio em debate na Bizfeira

A oitava edição do fórum Bizfeira aconteceu na passada sexta-feira. Este ano com o tema "Gerir na nova Ordem Mundial", a iniciativa reuniu cerca de 600 visitantes, na sua maior parte, empresários, não só do concelho da Feira mas de várias regiões do país.

Emídio Sousa, Presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, deu início aos trabalhos, com um discurso onde abordou a difícil situação em que se encontra o país e o mundo, nomeadamente no que diz respeito ao cenário macroeconómico e à actual situação de guerra na Europa que, para além de ter provocado o aumento das tensões entre os tradicionais blocos económicos, trouxe também uma crise energética inédita e um aumento dos níveis de inflação que ainda não estagnaram.

Emídio Sousa elencou os números alcançados pela sua governação no concelho. "Anos de trabalho materializados em 325 milhões de euros em investimento no nosso território; 1000 processos acompanhados pela equipa Bizfeira de desenvolvimento económico, 55 iniciativas de diplomacia económica em todo o mundo, 3600 atendimentos realizados pelos nossos técnicos, 6000 postos de trabalho directo criados nosso território".

O autarca lembrou ainda o objectivo estratégico de 2014, de criação de pleno emprego, afirmando que o mesmo foi concretizado em 2019. "Os 15% de desempregados registados em 2014, cerca de 10640 pessoas, quando iniciamos o projecto Bizfeira, felizmente, fazem parte do passado", afirmou.

Emídio Sousa fez questão de informar os presentes que Santa Maria da Feira é, cada vez mais, um território de eleição para investidores nacionais e internacionais. As razões apontadas pelo presidente prendem-se com a celeridade processual, um território com infraestruturas modernas, acessibilidades, excelentes serviços de saúde e educação, com segurança, com oferta cultural, espaços verdes e uma vivência em comunidade. "O nosso território oferece a quem investe, qualidade de vida", garantiu.

O presidente mostrou-se "orgulhoso" pelos resultados veiculados no início da semana anterior, relativamente à posição do município no ranking global de eficiência e eficácia da gestão financeira dos municípios portugueses, onde Santa maria da Feira voltou a destacar-se, alcançando a 2.a posição num universo de 308 municípios. "Em Santa Maria da Feira provamos que é possível desenvolvimento económico, investimento e contas certas", sublinhou.

Emídio Sousa divulgou também planos para a futuro, apontando como plano estratégico um "novo patamar de desenvolvimento". Nessa conformidade, em 2023 o cluster HITR (Health IT and Research) irá ganhar "uma nova dinâmica e um novo fôlego", numa área de 400 hectares junto ao Europarque, com expansão de empresas e equipamentos ligados à saúde, educação, investigação, tecnologias de informação, zonas de lazer e de bem-estar. "Continuaremos alinhados com a estratégica Portugal 2030 em matéria de digitalização, inovação e qualificação, mas também em transição climática e de sustentabilidade de recursos. Dois eixos estratégicos para a nossa competitividade empresarial, afiançou.

Mostrando-se preocupado com a problemática da escassez de oferta de habitação, em função do crescimento da empregabilidade e da atração de investimento no concelho, o edil comunicou que o próximo compromisso da autarquia é expandir o parque habitacional. Assim, em Março de 2023 será apresentado o plano municipal para a habitação, onde se prevê a construção de 1000 casas a preços acessíveis. No entanto, segundo o presidente, a necessidade efectiva será de 3000 fogos, considerando a procura que o concelho tem vindo a registar. Por essa razão, o presidente desafiou os empresários da construção civil e da imobiliária a envolverem-se no projecto. "É mais uma oportunidade de mercado que agora se abre em Santa Maria da Feira", disse.

Por último, Emídio Sousa falou da situação do país, caracterizando-a como "seriamente preocupante" e lamentou a falta de políticas públicas integradas e o discurso dos mais altos dirigentes do Estado que, segundo o autarca, "nem sempre se coaduna" com a realidade. "Entristece-me imenso sermos hoje um país exportador de pessoas e de talento, quando deveríamos investir na exportação de bens e serviços.
Angustia-me o discurso dos nossos governantes, que tantas vezes minimiza as nossas empresas, como se fosse possível coesão social e distribuição de riqueza sem a produzirmos
", afirmou.

O presidente disse-se chocado com a "falta de ambição dos nossos governantes, num país onde faltam objectivos concretos e comuns para nos afirmarmos verdadeiramente enquanto nação". "Cansa-me o discurso formatado da pobreza, da esmola, do subsídio. As políticas sociais são necessárias, mas, por si só, não resolvem o problema, nem devem ser o objectivo de uma sociedade evoluída. Não podemos aceitar um povo e um país de mão estendida. Há que dar oportunidades e ferramentas às pessoas, a velha máxima de não dar o peixe, dar a carne. Qual é a cana? Formação, emprego, salários dignos e ambição", concluiu.

"Os nossos empresários são os meus Mourinhos e Ronaldos da economia"

A sessão prosseguiu com uma entrevista a António Nogueira Leite, ex-governante e actual professor catedrático, conduzida por Camilo Lourenço, comentador de economia. Sob o tema "O mundo mudou. E a gestão empresarial?", o especialista mostrou-se preocupado com os vários problemas internacionais, sobretudo com a inflação. "O processo inflacionário não só perturba bastante as pessoas como é bastante injusto, porque tende a prejudicar mais os que menos têm", disse. Segundo Nogueira Leite, a terapia para a inflação passa por utilizar remédios que são paliativos contra as dores causadas por este fenómeno económico. Aludindo às medidas conhecidas em 2022, nomeadamente aos 125€ atribuídos às famílias portuguesas, o professor lamentou o facto de não se concentrar a ajuda naqueles que realmente necessitam. "O problema é que para muitas famílias é útil, para algumas podia ser mais e para outras não tem utilidade nenhuma. Estamos a ajudar quem não precisa e não nos concentramos naqueles que realmente precisam, e isso é fundamental", afirmou.

António Nogueira Leite disse haver uma "elevada probabilidade de recessão em Portugal e na Europa e apontou uma queda entre 1 e 2% para a economia nacional.

O primeiro painel da tarde, também com Camilo Lourenço, incluiu um grupo de 4 empresários de vários sectores, onde foram debatidos temas como visão estratégica de negócio e
sustentabilidade.

João Manso Neto foi o segundo entrevistado da tarde. O CEO da Greenvolt falou, sobretudo, de energia, daquilo de que errado se está a fazer em Portugal nessa área e apontou alguns caminhos que, na perspetiva do especialista, podem ser mais eficazes.

Seguiu-se uma apresentação por Luís Castanheira, administrador-delegado da Energaia e Pedro Santos, sócio-gerente da 2GO OUT Consulting, de como reduzir a factura energética e descarbonizar.

O último painel contou com os testemunhos de boas práticas na eficiência de Miguel Bento, gestor de Energia da Corticeira Amorim, e Pedro Tavares, director financeiro da Procalçado S.A.

Paulo Portas, entrevistado pelo jornalista Carlos Daniel, foi o último protagonista do Bizfeira. Caracterizando-se como realista, o ex-governante afirmou que é necessário ter um sistema internacional muito mais eficiente.

Sobre Portugal lançou três questões que, na sua opinião, são as mais pertinentes no momento actual: Quanto tempo demoramos a recuperar a economia depois da pandemia? Como foi o ano de 2022? O que é previsível para o ano de 2023? Para todas deu uma resposta, ao longo de mais de uma hora de análise que pareceu não cansar uma plateia muito atenta.

Podíamos ter recuperado da pandemia se fossemos uma economia mais flexível. Não estamos especialmente bem colocados nesse ranking, mas há mais mal colocados na europa.

O Fórum Bizfeira encerrou com um momento de degustação que promoveu a gastronomia feirense. Uma pareceria com a Histórica - Associação de Hotelaria, Restauração e Similares do Centro Histórico de Santa Maria da Feira, no âmbito da chancela Santa Maria da Feira - Cidade Criativa da Gastronomia UNESCO.

Fonte: In, Jornal N
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