06 Jun 2022

FICOR em Coruche é uma montra para o sector da cortiça

Empresas e pequenos produtores corticeiros reuniram-se na Feira Internacional da Cortiça de Coruche, que se realizou entre 26 e 29 de Maio. Um dos mais importantes certames dedicados a um sector em que Portugal é líder nas exportações.

O sector da cortiça é um dos mais importantes para o país, quer a nível económico quer a nível ecológico, e a Feira Internacional da Cortiça, que se realizou em Coruche entre 26 e 29 de Maio, é uma das suas grandes montras, reunindo agentes da fileira do pequeno artesão às grandes empresas transformadoras. É ainda na rolha que assenta a maior parte da produção nacional representando 73% da actividade. Mesmo assim cada vez têm surgido mais produtos à base de cortiça, desde tecidos a material para isolamento térmico e acústico até pranchas de surf.

A Corticeira Amorim é uma das principais empresas do sector e uma das principais empregadoras em Coruche. É um exemplo da evolução do sector. Com mais de 150 anos de experiência na área é o maior produtor de rolhas a nível mundial e tem-se destacado noutras vertentes sendo a fornecedora do revestimento de cortiça da caixa de bateria do novo avião eléctrico da Rolls-Royce. Elisabete Coelho, que estava em representação da Corticeira Amorim na FICOR, explicou a O MIRANTE que a maioria da produção da empresa é para exportação. Além do mercado da rolha, exporta revestimentos, granulados e aglomerados, utilizados nas mais variadas áreas.

Rui Rodrigues, natural de Santa Maria da Feira, está na FICOR em representação do Centro de Formação Profissional da Indústria de Cortiça (Cincork), onde é formador. Trabalha com cortiça há quase vinte anos e, a par do ensino, é artesão. Enquanto esculpia uma figura de um tirador de cortiça foi conversando com o repórter de O MIRANTE. Contou que começou a esculpir cenas de representação do sector, como a tiragem e o transporte de cortiça. Tem mais de 140 peças únicas esculpidas, sendo uma das que mais se orgulha a estátua de Santiago, na rotunda da Estrada Nacional 1, em Lourosa, concelho de Santa Maria da Feira.

O artesão e formador relembra a importância do sector corticeiro, a nível económico e ambiental, sublinhando a importância dos territórios de montado de sobro na protecção da biodiversidade. Numa floresta de montado de sobro é possível encontrar cerca de 135 espécies de plantas diferentes, pois o sobreiro não monopoliza os nutrientes do solo, como acontece com os pinheiros ou os eucaliptos, por exemplo. Além disso o sobreiro, declarada árvore nacional desde 2011, constitui uma ajuda preciosa no combate aos incêndios, não sendo consumida pelas chamas com tanta facilidade e rapidez como os eucaliptos ou os pinheiros.

A Corkbrick, uma empresa sediada em Cascais, é o exemplo da multiplicidade de utilizações da cortiça. O conceito é simples: são tijolos feitos de cortiça que podem ser utilizados para construir várias peças de mobiliário, de mesas a bancos até prateleiras, sofás ou camas. A ideia surgiu da arquitecta Catarina Reynolds que, com o apoio do pai, Manuel Reynolds, fundou a empresa. Escolheram a cortiça como matéria-prima por ser um produto endógeno e por chamar cada vez mais a atenção dos consumidores. Aproveitaram aquele que consideram o grande certame do sector em Portugal para dar a conhecer o seu produto.

Arménio Fernandes vem de Vila Verde, distrito de Braga, com a mesma intenção de promover os seus produtos. Artesão de cortiça, tem na sua banca de tudo um pouco: esculturas decorativas com figuras religiosas ou presépios, carteiras e malas feitas com tecido de cortiça, chinelos e sapatos, não esquecendo as canetas e os isqueiros decorados com revestimentos de cortiça. Marca presença na FICOR desde a primeira edição e diz ser a melhor feira que frequenta. São os produtos mais pequenos que diz saírem mais, mas são os contactos que faz e que acabam por encomendar peças maiores que rendem mais dinheiro. Mesmo durante a pandemia Arménio Fernandes diz não ter tido descanso, sempre com encomendas a chegar.

Cortiça é usada em centenas de produtos

O sector corticeiro é dos principais contribuintes para a economia nacional e um dos que mais tem evoluído. Portugal é o maior exportador de cortiça do mundo com uma quota de 62%, que se traduz em 1.016 milhões de euros. Apesar de o produto mais vendido ser a rolha o sector tem-se expandido para outras áreas. A cortiça é aplicada em vários sectores, do automóvel, comboios de alta velocidade, navios de grande porte ou aviões de última geração. No mundo desportivo é usada para fabricar bolas de golfe, hóquei, as bases dos volantes de badminton, raquetes de ténis de mesa, alvos para dardos, caiaques olímpicos ou pranchas de surf. No sector da construção é usada para renovar edifícios, monumentos e fachadas de prédios, projectada em pequenos grãos por jactos de ar comprimido.

Fonte: In, O Mirante
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