01 Jul 2026

Da cortiça ao tear: a história da marca portuguesa que está a dar uma nova vida a um material improvável

Quando pensamos em cortiça, dificilmente a associamos a um tapete. O imaginário coletivo leva-nos para as rolhas de vinho, para os revestimentos ou para o isolamento de edifícios. Mas há quem tenha olhado para este material tão português e visto nele uma possibilidade diferente.

Foi precisamente dessa vontade de explorar novos caminhos que nasceu a Sugo Cork Rugs, marca criada pela designer portuguesa Susana Godinho, que encontrou na união entre cortiça e tapeçaria artesanal uma forma original de cruzar inovação, design e saber-fazer. A ideia começou a ganhar forma em 2014, através de uma parceria com a Amorim Cork Ventures, incubadora de negócios da Corticeira Amorim.

Três anos mais tarde, a primeira coleção chegava ao mercado, apresentando uma proposta pouco comum: integrar cortiça em técnicas tradicionais de tapeçaria para criar peças feitas à mão, com uma identidade própria e facilmente reconhecível.

Mais do que um elemento estético, a cortiça acrescenta características que valorizam o produto final. Sendo um material natural, leve e resistente, contribui para o conforto, ajuda no isolamento acústico e não retém pó nem ácaros, tornando-se uma opção interessante para quem procura soluções mais saudáveis para os espaços interiores.

Mas a singularidade destas peças não se esgota na utilização de um material inesperado.

Por detrás de cada tapete existe um processo muito ligado ao trabalho artesanal. A produção acontece em Portugal e envolve profissionais especializados que dominam técnicas de tapeçaria transmitidas ao longo de gerações. Apesar da introdução de algumas soluções mecânicas que permitem otimizar determinadas etapas, os acabamentos e muitos dos detalhes continuam dependentes da experiência e do olhar humano.

Num mercado onde a produção em massa domina grande parte da oferta, a marca optou por um caminho diferente: produzir apenas por encomenda. Cada projeto começa com uma conversa. Arquitetos, designers de interiores, hotéis ou clientes particulares partilham ideias, referências visuais, combinações cromáticas ou necessidades específicas. A partir daí, desenvolve-se uma peça que responde ao espaço para o qual foi pensada. Essa abordagem permite que um tapete deixe de ser apenas um complemento decorativo para assumir um papel mais relevante na composição de um ambiente. Pode ocupar o lugar habitual no chão, mas também ganhar destaque numa parede ou integrar soluções criativas que acrescentam textura, conforto e personalidade aos interiores.

A escolha das matérias-primas acompanha esta preocupação com a durabilidade e a responsabilidade ambiental. A lã e a cortiça utilizadas são de origem nacional. O linho provém de fornecedores europeus. Já o algodão resulta da recuperação de excedentes e desperdícios da indústria têxtil portuguesa, num esforço contínuo para reduzir o desperdício e valorizar recursos já existentes. Mesmo os materiais que sobram da produção encontram frequentemente novas utilizações. Restos de linho transformam-se em elementos de embalamento ou em amostras para clientes, enquanto excedentes de fios ajudam a construir novas combinações de cor e futuras propostas criativas.

Ao longo dos últimos anos, esta combinação entre design, personalização e produção artesanal tem conquistado cada vez mais reconhecimento dentro e fora de Portugal. A marca marcou presença em feiras internacionais de referência, passando por cidades como Nova Iorque, Estocolmo, Tóquio, Londres ou Paris, onde encontrou profissionais e projetos que valorizam peças feitas com tempo, atenção ao detalhe e uma forte ligação à origem.

Num setor em constante transformação, a Sugo Cork Rugs demonstra que a inovação nem sempre passa por criar materiais. Por vezes, basta olhar para um material que já faz parte da identidade de um país e descobrir formas inesperadas de o utilizar.

Dica de Decoração

O tapete e a decoração têm andado de mãos dadas desde sempre. É um acessório que impõe personalidade a um espaço, mas a sua função de aconchego e conforto é a sua maior qualidade.

Para escolher o tapete certo para o espaço a tratar deve coordenar três questões: tamanho, cor e material de produção. Podem ser adquiridos já prontos, mas em muitos fornecedores pode customizar. Deve ter em conta o layout das peças de mobiliário no espaço a decorar, quer seja exterior, quer seja interior, e nunca deve poupar no tamanho. Se for para ambientes com sofás, este deve entrar um pouco para debaixo do mesmo e se for para definir ambientes deve ter sempre 15 ou 20 cm a mais. Mas atenção, os cadeirões devem sempre ter no mínimo os dois pés da frente sobre o tapete escolhido. 

Uma boa dica para os quartos é o facto de poder "mandar cortar” um tapete em U para as laterais e pés da cama, deixando de desperdiçar toda uma mancha que fica debaixo da mesma e que nunca é utilizada.

Fonte: In Sapo.pt
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