13 Mai 2024

Corticeira Amorim de olho em novas aquisições

Apesar do contexto marcado por uma elevada incerteza, com os lucros e as vendas a sofrerem um forte recuo nos últimos meses, a empresa não descarta voltar às compras: António Rios Amorim afiança que a líder mundial do setor "está sempre atenta a oportunidades que possam surgir".

A somar ao crescimento orgânico, o filho de António, irmão do falecido Américo - com os dois ramos da família a controlarem ameias a Corticeira Amorim - empreendeu, desde que sucedeu ao tio na liderança da companhia, já lá vão 23 anos, uma agressiva política de aquisição de concorrentes nacionais e, sobretudo, internacionais.

Inúmeras compras, como a Sociedade Nacional de Cortiça, em 2001, passando pela Equipar, em 2005, as francesas Société Nouvelle des Bouchons Trescases, Oller, Sobeífi e agigante Bourrassé, sem esquecer a alemã Córtex, a espanhola Trefinos ou a checa Vinolok.

A aquisição das aquisições aconteceu há pouco mais de dois anos, quando a Corticeira Amorim comprou, por quase 50 milhões de euros, 50% do capital social da italiana Saci, que tem como principal atividade a produção e comercialização de um produto em que é o maior fabricante mundial - "muselets", que é o nome que se dá à estrutura em arame que se encaixa na rolha de uma garrafa de champanhe, vinho espumante ou cerveja para impedir que a cortiça saia sob a pressão do conteúdo gaseificado.

Há um ano, quando questionado pelo Negócios sobre a possibilidade de realizar aquisições em 2023, António Rios Amorim afirmava que "dificilmente concretizaremos algo com a importância e dimensão das realizadas em 2022, num total de mais de 90 milhões de euros, e com destaque para a compra de 50% do grupo Saci e de uma parte da antiga Herdade de Rio Frio".

A última aquisição relevante efetuada pela líder mundial do setor ocorreu em agosto passado, quando desembolsou 11,6 milhões de francos suíços (cerca de 12 milhões de euros) pela compra de 55% do capital do grupo helvético VMD, que desenvolve a sua atividade nas áreas de produção e comercialização de rolhas, cápsulas, produtos enológicos, barricas e equipamentos para adegas no setor vitivinícola.

Entretanto, após ter fechado 2023 abaixo dos mil milhões de euros de vendas, cifra recorde atingida no ano anterior, e menos 9,5 milhões de euros de lucros, a Corticeira Amorim teve um arranque de 2024 ainda pior: nos primeiros três meses, os lucros homólogos caíram 32,4%, para 16,1 milhões de euros, e as vendas 9,7% para 234,7 milhões. Apesar do difícil contexto, Rios Amorim não descarta voltar às compras: "A Corticeira Amorim, no âmbito da sua estratégia de inovação, reforço das suas áreas de negócios e expansão para novos mercados ou para novas aplicações dos seus produtos, está sempre atenta a oportunidades que possam surgir", afirmou ao Negócios.

5.000
TRABALHADORES
A Corticeira Amorim, que tem sede em Santa Maria da Feira, emprega mais de cinco mil pessoas, das quais cerca de 70% em Portugal.

1870
LÍDER CENTENÁRIA
Fundada há 154 anos, a maior empresa de transformação de cortiça do mundo fatura aproximadamente mil milhões de euros.

António Rios Amorim, que está à frente da empresa há já 23 anos, tem vindo a reforçar o estatuto da Corticeira Amorim como líder mundial do setor.


Fonte: In, Jornal de negócios
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