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Portugal quer integrar o “pelotão da frente” da Europa até 2030
2019-04-10

Governo lançou a segunda fase do programa Indústria 4.0 que vai ter 600 milhões de euros e pretende requalificar e formar mais de 200 mil trabalhadores, envolver mais de 20 mil empresas e financiar mais de 350 projetos mobilizadores

O Governo quer colocar Portugal no pelotão da frente da transformação digital e do crescimento económico na União Europeia até 2030 e, para isso, pretende requalificar e formar mais de 200 mil trabalhadores, envolver mais de 20 mil empresas e financiar mais de 350 projetos transformadores na segunda fase do programa Indústria 4.0 que esta terça-feira foi formalmente apresentado no Campus de Guimarães da Universidade do Minho. "Precisamos de pedalar mais. É um esforço de todos que é necessário fazer e que vale a pena”, garantiu o primeiro-ministro.

Num evento marcado pela homenagem a João Vasconcelos, peça fundamental na criação da estratégia Indústria 4.0, que o Governo lançou em janeiro de 2017, António Costa terminou o seu discurso – que começara, precisamente, por explicar as quase duas décadas de amizade com o mentor da web summit em Portugal – parafraseando o seu ex-ministro, recentemente falecido: "Estamos todos convocados. Vamos juntos fazer o que falta para conseguirmos verdadeiramente surfar esta onda e aproveitar esta revolução industrial. Força, vamos em frente”.

O primeiro-ministro lembrou que Portugal tem hoje um sistema científico "robusto e capaz” e a geração "mais qualificada de sempre”, ingredientes "fundamentais” para tirar partido "desta oportunidade”. Apontou o caminho já encetado por muitos dos sectores tradicionais, como os vinhos, o calçado e os têxteis, que "conseguiram provar que é possível transformar a qualificação em valor” e garantiu que essa capacidade de transformação e de inovação "existe em todos os sectores e, felizmente, está a acontecer”. O que é preciso é, agora, diz, é "dar escala, dimensão e replicar” estes exemplos para que passem a ser a regra, ou seja, "que os 25% de empresas que hoje já estão na velocidade de cruzeiro da indústria 4.0 passem a ser 50, 75 e um dia 100%”. Para tal, há que coordenar as políticas públicas, aos diversos níveis, com as prioridades dos centros de conhecimento e das empresas, "casando, de forma virtuosa, o trabalho que todos temos de fazer", defende.

A métrica inscrita nesta segunda fase do programa, composto por 11 medidas desenhadas em torno de três eixos fundamentais – capacitar; generalizar e assimilar – para o objetivo do Governo a 10 anos, de "conseguir aumentar em 1,8 o valor do produto interno bruto nacional”, o que permite "o salto para a convergência europeia”, diz o primeiro-ministro. Costa lembrou que 2017 e 2018 foram os dois primeiros anos de convergência com a UE e que, este ano, mesmo com as piores previsões, Portugal continua a crescer acima da média. O que não chega. "Temos que crescer mais do que a média europeia, de forma duradoura e sustentada durante a próxima década e é nisso que temos de nos concentrar”, frisou.

E porque a média europeia não se manterá estática, António Costa destaca que é preciso "pedalar mais” do que os outros, "um esforço que tem de ser de todos” e que "vale a pena fazer”. Com a consciência de que "só com a capacidade de crescer mais na escala de valor” é que as empresas se poderão manter competitivas "no teste da economia mundial” e que só criando mais valor será possível "responder à ambição de quem trabalha de ter um emprego cada vez melhor remunerado”. O primeiro-ministro não esqueceu os jovens – afinal, grande parte da plateia era composta por estudantes da Universidade do Minho -, sublinhando que estes "têm todo o direito a exigir poderem realizar-se plenamente em Portugal e não precisarem de ir para fora” à procura de oportunidades.

Coube a Jorge Portugal, diretor-geral da COTECc, apresentar as linhas gerais da segunda fase do programa Indústria 4.0, lembrando que a indústria do futuro "terá de ser mais sustentável, mais intangível, mais digital e mais circular”, mas, também, com "mais e melhor emprego”. O objetivo é chegar aos 75% de empresas de baixa maturidade digital através da criação de uma "oferta completa de suporte à digitalização que dê resposta às falhas de mercado existentes”.

Também o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, destacou a necessidade de capacitar os recursos humanos, de modo a que todos os portugueses "possam participar deste percurso de mudança” e que possam, por esta via, encontrar dignidade no trabalho e do ponto de vista salarial. Mas não são só os trabalhadores que precisam de ser qualificados, também os empresários menos vocacionados para a transformação digital "precisam de ser acompanhados e capacitados” para esta revolução.


In, Dinheiro Vivo
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