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Mais de 42 milhões em projetos de I&D
2018-05-15

Diretor da COTEC diz que investimento no 4.0 vai permitir às empresas nacionais serem mais flexíveis para poderem responder rapidamente às necessidades de cada cliente.

Com a indústria 4.0 em debate, especialistas do setor afirmam que quem não investe em novas tecnologias está menos preparado para enfrentar o futuro. No cluster dos moldes, "quem não investir pelo menos 10% a 12% da faturação em investigação e desenvolvimento corre o risco de sair do mercado em três anos".

A indústria de moldes nacional tem já cerca de 42 milhões de euros em projetos de investigação e desenvolvimento, montante que envolve cerca de cem empresas deste cluster, instalado maioritariamente na Marinha Grande, e cerca de 50 unidades científicas e centros de investigação. A revelação foi feita por Rui Tocha, diretor-geral do Centimfe - Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos, que participou em mais um debate do Prémio Inovação NOS, em parceria com a TSF e a Dinheiro Vivo, realizado na Marinha Grande, nas instalações da incubadora de negócios OPEN. 

Este debate, em que participaram ainda Paulo Gaspar, responsável pelas tecnologias de informação do grupo Lusiaves, e Jorge Portugal, diretor da COTEC, foi dedicado ao tema Indústria e o Novo Paradigma 4.0, e no qual foram analisadas as várias questões que envolvem a nova revolução industrial.

Rui Tocha prefere não falar na palavra revolução, pois para este especialista "a indústria 4.0 não é o papão de que se fala, mas sim um desenvolvimento normal ao serviço da economia". Salienta que esta transição do 3.0 para o 4.0 deve ser feita numa lógica de integração das cadeias de valor, e que muitas empresas já se adaptaram, mas outras ainda não. Contudo, na indústria de moldes esta adaptação tem sido feita desde cedo, pois "empresa que não invista 10% a 12% do seu volume de negócios em I&D pode ficar fora do mercado em três anos", revela Rui Tocha. Afirma ainda que o facto de as indústrias de moldes e topping investirem em tanta inovação causa alguma estranheza a outras indústrias concorrentes no estrangeiro, "pois Portugal ainda é visto como um low-cost country. E este investimento do cluster ajuda a melhorar a imagem das empresas portuguesas no mercado internacional", explica.

Por seu lado, Jorge Portugal defende que a indústria 4.0 vai permitir às empresas nacionais serem ainda mais flexíveis e estarem mais alinhadas com as necessidades dos clientes. "O modelo de competitividade industrial português assenta nas pequenas séries, em estar alinhado com as especificidades do cliente e poder responder rapidamente. Esta revolução vem otimizar esta capacidade, mas, acima de tudo, dar novas oportunidades para inovar mais depressa, com menos risco." As plataformas de dados vêm ajudar agora a ganhar velocidade, sobretudo na entrega dos produtos na casa dos clientes, "não em autoestradas mas em estradas de montanha", refere este responsável.

Tecnologias trazem eficiência

Paulo Gaspar explicou, a propósito do tema, como a Lusiaves, empresa de comércio agroalimentar, e produtora de aves para alimentação se tem preparado para a revolução industrial: a empresa tem implementado novas tecnologias em várias etapas da produção. "Na área da produção de rações, por exemplo, já é tudo automatizado, tal como no abate. Tem sido sempre uma estratégia nossa apostar na automatização e isso agora é cada vez mais prioritário." O responsável do grupo de Leiria acredita que a aposta na eficiência vai ajudar a reduzir os custos. "A digitalização permite estandardizar todos os processos, e isto é muito importante num grupo com mais de 30 empresas", explica.

Jorge Portugal refere ainda que a nova revolução industrial chega transversalmente a todos os setores, mesmo aos chamados tradicionais. Já se assiste a pequenas revoluções setoriais, como no das pedras ornamentais, em que há já uma integração e colaboração entre os vários intervenientes: por exemplo, entre a empresa que explora, o arquiteto e o aplicador que já definem em três dimensões o que desejam para o trabalho final.


In, AICEP
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