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Ginita, 70 anos de dedicação ao calçado
2018-02-14

Para traçar a história da Ginita temos de recuar 70 anos. A 2 de Fevereiro de 1948, António Correia Alves, com apenas 17 anos de idade, lançava-se na aventura do fabrico de sapatos. Num Portugal rural no rescaldo da segunda Guerra Mundial, então com cinco trabalhadores. Sete décadas depois, o empresário agora com 87 anos de vida, ainda percorre o chão da fábrica, cuja gestão está hoje nas mãos do filho, Albérico Alves, para quem o segredo de longevidade da empresa está no trabalho diário. A Ginita é hoje uma das mais antigas fábricas de calçado da região, representando uma força de trabalho de 117 pessoas.

A fábrica de calçado Ginita, uma das mais antigas e conceituadas exportadoras empresas do sector, comemorou, a 2 de Fevereiro, 70 anos.

Esta é uma história de sucesso que se começa a desenhar em 1948 quando António Correia Alves, então com apenas 17 anos, se lançou na aventura de produzir sapatos.

O empresário tem hoje 87 anos de vida e ainda percorre o chão da fábrica que hoje representa uma força de trabalho composta por 117 pessoas, o que faz da Ginita um dos maiores empregadores da vizinha freguesia de Escapães.

A gestão da empresa está hoje também nas mãos do filho de António Correia Alves, Albérico Alves que está ligado à fábrica há 35 anos. "Curiosamente metade da existência da empresa”, constata numa conversa no gabinete de trabalho que mantém lado-a-lado com a produção.

Quando questionado sobre o segredo da longevidade da empresa, Albérico Alves é peremptório: "É vir trabalhar diariamente, estar presente com toda a sua equipa de colaboradores”. "Estar presente é muito importante”, afiança, sublinhando que a Ginita é uma "empresa familiar”.

"Ser sério com os nossos clientes e produzir o melhor dentro da qualidade média-alta que nos caracteriza, com a melhor relação qualidade/moda a preço acessível” será a outra vertente do sucesso do negócio.

 A Ginita destaca-se também pela "exclusividade na produção de modelos únicos para os seus clientes, comprovando a total confiança destacando como principal atributo”. "Trabalhamos com grandes marcas, percebemos as tendências da moda e em conjunto com os nossos clientes e com as equipas internas de estilistas e modeladores desenvolvemos as colecções”, explica o empresário.

Num sector que é necessário uma adaptação constante, Albérico Alves acentua que "o nível das vendas, que se reflectem como é óbvio na facturação, é inconstante, com vários factores que interferem e influenciam as vendas do calçado, exigindo grandes adaptações nas empresas” para dar resposta às flutuações e exigências do mercado.

Com a totalidade da produção destinada à exportação, o calçado fabricado na Ginita tem a França como o principal destino, seguido dos mercados da Holanda e Espanha.

Celebrar a história, perspectivando os desafios do futuro

Os desafios para o futuro da Ginita passam pela contínua melhoria da qualidade a preços competitivos, o que se revela difícil com os custo de produção tendencialmente a subir, mas Albérico Alves alerta que "a mão-de-obra será um problema grave que a indústria irá enfrentar”.

"Não há pessoas novas para substituir os que vão saindo do mercado de trabalho e refiro-me à mão-de-obra qualificada e não qualificada. As poucas pessoas que vão entrando são formadas dentro da empresa”, afiança, concluindo que "apesar da melhoria das condições salariais criadas pela indústria é complicado contratar pessoas”. Albérico Alves adverte que se esta tendência não for contrariada, as empresas do sector poderão vir a ter de competir entre si na captação dos melhores profissionais.

"Temos tentando criar condições para dar estabilidade às pessoas, resultado disso é ter connosco colaboradores a trabalhar na fábrica há 45 e 46 anos”, constata.

Dentro da história dos 70 anos da Ginita, a empresa passou também por períodos mais conturbados, como foi a "altura do 25 de Abril”, quando a fábrica perdeu os mercados de Moçambique e Angola, que representariam cerca de 50 por cento da produção à altura. Albérico Alves recorda que foi com as MOCAP (Mostra Portuguesa de Calçado, organizadas durante mais de 20 anos pela APICCAPS) que a empresa começou "a alavancar as exportações para outros países”.

Albérico Alves constata que "o tempo das grandes encomendas acabou”, sublinhando que "as empresas vão ter que se adaptar para fabricar encomendas mais pequenas e mais rápido”. Destaca ainda a "proximidade” aos mercados europeus como uma "vantagem competitiva” para a indústria portuguesa de calçado.

Para comemorar os 70 anos, a 2 de Fevereiro, dia exacto em que António Correia Alves iniciou actividade, em 1948, a Ginita reuniu cerca de 180 pessoas, entre colaboradores e convidados, na Quinta de Santiago. As comemorações prolongaram-se noite dentro, com muita animação e convívio entre aqueles que contribuem para este trajecto de sucesso da Ginita.





In, O Regional
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