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Espanhóis da Molaflex deslocalizam fábrica da terra natal para a Feira
2018-02-01

O grupo espanhol Flex vai deslocalizar a sua produção de São João da Madeira, onde emprega 300 pessoas, e de Porriño para Santa Maria da Feira, com um investimento de 13 milhões de euros na construção de uma nova unidade industrial. 

À entrada da chamada terceira idade, a Molaflex decidiu mudar de vida. Vai continuar a produzir colchões e outros produtos do chamado sector do descanso, mas já não em São João da Madeira, onde foi fundada há 67 anos. O Negócios sabe que a empresa detida pelo grupo espanhol Flex vai deslocalizar esta fábrica, assim como a que possui em Porriño, na Galiza, para Santa Maria da Feira. 

De acordo com fonte conhecedora do processo, "o arranque da construção da nova unidade industrial está iminente, devendo entrar provavelmente em funcionamento no final do ano, início do próximo". O director-geral da empresa, Victor Marinheiro, não quis detalhar o investimento, tendo apenas confirmado ao Negócios que "a Molaflex vai construir uma nova fábrica porque precisa de aumentar a sua capacidade produtiva".

Já o presidente da Câmara da Feira considerou que "este é um investimento de grande impacto para o concelho e para a região". E congratulou-se "com esta decisão empresarial", a qual, em seu entender, "é mais um exemplo da assertividade" da estratégia da autarquia "na captação de investimento nacional e internacional".

Uma estratégia que, segundo Emídio Sousa, "se baseia na competitividade do território" feirense: "Localização geográfica, instrumentos municipais facilitadores do investimento, zonas industriais modernas, proximidade e colaboração institucional", elencou o autarca.

De acordo com o que o Negócios apurou, a nova fábrica da Molaflex vai traduzir-se num investimento de cerca de 13 milhões de euros, só na aquisição de terrenos e em obras de construção. A mesma fonte do Negócios garantiu que a unidade fabril será erguida no Lusopark, o mais recente parque empresarial do concelho que é capital mundial do sector da cortiça e que acolhe o Europarque.

Em termos de emprego, registe-se que a Molaflex emprega actualmente cerca de 300 pessoas em São João da Madeira, devendo na nova morada industrial "criar algumas dezenas de postos de trabalho". A empresa liderada por Victor Marinheiro, gestor da "escola Amorim", na empresa há 20 anos, factura anualmente mais de 30 milhões de euros , que é gerada maioritariamente (cerca de 60%) nos mercados externos. 

A produção actual, que irá aumentar na nova frente fabril, ronda os 300 mil colchões, sendo que o aprovisionamento dos materiais é realizado em 95% junto de fornecedores nacionais. Apresentando-se como líder nacional do sector, a distribuição dos artigos de conforto que fabrica destina-se, essencialmente, aos segmentos do lar (60%) e da hotelaria (30%).

Fundado em 1912, o grupo espanhol Flex, que é controlado pela família Beteré, tem 11 fábricas em sete países, onde emprega cerca de dois mil trabalhadores, e facturou 323 milhões de euros em 2016.

Rui Moreira, o pai do "Molinhas" 

A Molaflex foi fundada em São João da Madeira, em 1951, por Rui Moreira, pai do actual presidente da Câmara do Porto. Nos anos 60, Moreira fez o filho aparecer de pijama, aos pulos numa cama, na pele da mascote "Molinhas", num anúncio televisivo. O hoje autarca ganhou a alcunha "Molinhas".

A 11 de Março de 1975, o então patrão da fabricante de colchões, que estava em Paris, regressa imediatamente a Lisboa. De volta à fábrica, ao fim de dois dias, é preso e a empresa ocupada. Quando regressa à liberdade, oito meses depois, recupera a Molaflex, que viria a ser vendida em 1986 à francesa BFA (Faurecia), que alienou o negócio à espanhola Flex três anos depois. 


In, Jornal de Negócios
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