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Da metalomecânica ao calçado, exportações vão bater recordes
2017-10-17


2017 promete ser um bom ano. As vendas ao exterior da metalurgia estão a crescer 12% e a cortiça, mobiliário, têxteis e calçado sobem 4%.

Da metalurgia e metalomecânica à cortiça, passando pela madeira e mobiliário, têxteis e calçado, as indústrias tradicionais portuguesas esperam bater máximos históricos de exportações este ano. As vendas para a Europa estão a correr a bom ritmo, muito à boleia do crescimento da Alemanha, mas, há, também, boas notícias do outro lado do Atlântico – afinal, ao contrário do que se receava, as políticas protecionistas de Donald Trump não tiveram, para já, qualquer impacto.

A campeã das exportações é a indústria metalúrgica e metalomecânica. Ao todo, só nos primeiros oito meses do ano, já vendeu para os mercados externos 10,5 mil milhões de euros, um aumento de 12%. Rafael Campos Pereira, vice-presidente da AIMMAP, a associação dos metalúrgicos, admite que "há alguma expectativa” de que a fileira do metal possa, este ano, chegar a um valor próximo dos 16 mil milhões exportados. Com crescimentos bem acima dos 50% estão mercados como os EUA, China e Angola. Na Europa, Espanha e França crescem a dois dígitos e até a Alemanha, que vinha denotando alguma anemia, por via da deslocalização de empresas industriais, está, novamente a acelerar.

Cortiça: meta dos mil milhões

As exportações de cortiça já somam 673,3 milhões de euros, um aumento de 4,8% em relação aos primeiros oito meses de 2016. Tudo indica que ainda não será este ano que a cortiça ultrapassará a mítica barreira dos mil milhões de euros exportados, mas a indústria acredita que vai crescer mais. "É com satisfação que verificamos que as exportações de cortiça estão em linha de crescimento. Este dado dá continuidade à estratégia de crescimento das exportações que tem caracterizado o nosso setor nos últimos anos e, deste modo, acreditamos que esta tendência se irá manter até ao final do ano”, diz Joaquim Lima, diretor-geral da APCOR – Associação Portuguesa da Cortiça.

Em termos de destinos, os cinco principais compradores estão com performances distintas. Espanha cresce a dois dígitos, França e Itália acima dos 4%. A cair estão as vendas para os EUA (-3,5%) e para a Alemanha (-1,7%). O Reino Unido cresce 6,6%, a China 8,5% e a Austrália mais de 52%. Os novos avanços tecnológicos nas rolhas de cortiça estão a dar um bom empurrão às vendas.

As exportações de têxteis e vestuário para os EUA estão a crescer mais de 14%, números que vêm tranquilizar a indústria, que chegou a temer os efeitos das medidas de Donald Trump. "O receio existiu, mas a realidade impôs-se e os negócios têm corrido bem, independentemente dessas eventuais medidas protecionistas”, diz o diretor-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal.

Paulo Vaz acredita que "não há razão nenhuma para temer o futuro”. Bem pelo contrário. "Há razões adicionais para que o comércio com os EUA venha a ser incrementado, designadamente por via da entrada em vigor do tratado comercial entre a União Europeia e o Canadá, o CETA, que permitirá aumentar as relações com o Canadá, mas, também, usar este país como plataforma de entrada nos Estados Unidos”. No total, as exportações de têxteis e vestuário cresceram 4,5%, ultrapassando os 3,5 mil milhões de euros entre janeiro e agosto. Os países da União Europeia avançam 3,3%, enquanto os destinos extracomunitários aumentam quase 11%. Angola, cuja economia parece recuperar da crise do petróleo, importou mais 69% de têxteis e vestuário portugueses; o Brasil mais 83% e a China mais 23%.

Madeira e mobiliário

A caminho da melhor prestação internacional de sempre está, também, a fileira da madeira e do mobiliário: 1,543 mil milhões vendidos ao exterior nos primeiros oito meses do ano, um aumento homólogo de 4%. O mobiliário e a indústria de colchões valem, praticamente, dois terços das exportações e crescem, respetivamente, 6% e 12%. A cair estão as exportações de madeira serrada e dos painéis de madeira.

"A indústria de madeira e mobiliário, no seu todo, tem vindo a aumentar as suas exportações à razão de 100 milhões de euros anuais nos últimos oito anos”, diz o presidente da AIMMP, a associação do setor. No entanto, Vítor Poças reconhece que a fileira "está longe de atingir o seu expoente máximo”, garantindo que os produtos portugueses "podem ser competitivos em qualquer lugar do mundo”.

Por fim, as exportações de calçado aumentaram 3,66%, totalizando já 1,390 mil milhões de euros, com as vendas para a Europa a evoluir 2,37% e 12,3% para os mercados extracomunitários. França, o principal destino do calçado português, cai 1,7%. Espanha perde 8% e o Reino Unido 2,9%. Em contrapartida, Angola disparou 80%, o Canadá cresceu 10,8%, o Japão 15% e a Alemanha 9%.

"Desde 2010, o setor já cresceu mais de 60% nos mercados externos”, diz o porta-voz da associação do calçado, a APICCAPS. Paulo Gonçalves destaca que os sapatos portugueses, hoje com um dos preços mais caros do mundo, "têm vindo a consolidar a sua presença nos mercados europeus”, ao mesmo tempo que "conquistam espaço em mercados extracomunitários de grande potencial, como o Canadá, China, EUA ou a América Latina”.

In, Dinheiro Vivo
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