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Criou sapatos sustentáveis com toques de portugalidade
2019-05-06

Solas recicladas, couro biodegradável ou cortiça entram no calçado da marca Marita Moreno, que expõe as criações em Lourosa

É como levar a cultura portuguesa nos pés, ora com têxteis das colchas tradicionais da ilha Terceira, ora com o padrão da calçada portuguesa. Mas mais do que carregarem tradição, estes sapatos são ecológicos e sustentáveis. Chama- -se "Marita Moreno" a marca criada por Marita Setas Ferro, que "roubou" o apelido ao bisavô para o projeto que lhe mudou a vida já depois dos 40.

Solas recicladas, couro que é biodegradável, cortiça, borracha natural, até fibras da casca da bananeira ou do ananás entram nos sapatos de Marita, que podem ser vistos ao vivo no showroom de Lourosa, Santa Maria da Feira. A escultora deixou de lecionar design de moda para lançar as próprias coleções de sapatos e malas. "E a sustentabilidade da marca não é só nos materiais, todo o conceito é sustentável, até pela produção muito limitada", explica. Produz 100 exemplares numerados de cada modelo em fábricas portuguesas, sempre com materiais nacionais. "E trabalho com artesãos. Com têxteis pintados à mão ou rendas", observa.

Escolheu produzir sapatos graças à paixão pela escultura. "São objetos tridimensionais", justifica. E os padrões não deixam duvidar de onde vem a marca. "São ligados à cultura portuguesa. Na primeira coleção, em 2015, usei linho feito à mão e um couro com representação da calçada portuguesa. Ainda hoje os vendo e os estrangeiros adoram". Também fez uma série ligada aos Açores, "com o têxtil das colchas da ilha Terceira".

Marita tem ainda uma linha vegan, onde não entram couros, só microfibras. Mas explica que ainda não é possível ser 100% ecológico nos sapatos. "Para garantir a durabilidade, não posso usar só borracha natural, caso contrário com o calor acaba por esticar ou derreter. E não existem ainda colas à base de água que assegurem uma colagem eficaz", justifica.

O showroom que tem em Lourosa está carregado de pares para homem e mulher que acabam por nunca ver a luz do dia, porque produz à escala das encomendas. O espaço já guarda seis coleções de peças intemporais, "para não haver desperdício e poder vender sempre". E vende para quase todo o Mundo, de tal forma que, entre 2017 e 2018, aumentou as vendas em 600%, sobretudo em exportação. Está em Milão, Paris ou Los Angeles. Agora, quer virar-se para Portugal. "Porque há oportunidade. No último ano houve grande abertura para o sustentável". Já tem sapatos em concept stores no Porto, Lisboa, Bragança, Coimbra, Trofa ou Vila do Conde. E avisa: "O sustentável é o único caminho, não há outra opção", conclui.


In, Jornal de Notícias - JN Urbano
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