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A sua paixão pela apicultura resultou na marca "Mel da Ilha São Miguel"
2019-07-10


Depois de vários anos dedicados à produção de mel nos seus tempos livres, mais concretamente em Setembro de 2018, Adelino Santos aderiu ao selo Marca Açores e colocou no mercado o "Mel da Ilha São Miguel”, conforme são conhecidos os seus produtos, nomeadamente o já típico mel de incenso e o mel multiflora.

De acordo com o produtor, que actualmente conta com cerca de 60 colmeias espalhadas por vários locais da maior ilha dos Açores, tal como Furnas, Maia e Vila Franca do Campo, a certificação dos seus produtos decorreu de uma forma natural tendo em conta a quantidade de produto que conseguia acumular e que poderá agora variar entre os 10 e os 15 quilos por cada uma das colmeias.

Porém, conta Adelino Santos, só recentemente é que começou a olhar para a apicultura como uma oportunidade de negócio, uma vez que até 2018 esta era vista como "um modo de vida” e uma forma de ocupar os seus tempos livres com uma actividade que lhe dava gosto fazer.

Para além da certificação da Marca Açores, o produtor de mel, natural de Santa Maria da Feira, conseguiu também certificar os seus produtos com Denominação de Origem Protegida (DOP), um selo reconhecido em toda a Europa e que certifica a origem de um determinado produto, salientando que, no entanto, é o selo Marca Açores que, de momento, exibe nos seus frascos de mel.

Em relação a estas certificações, Adelino Santos salienta que são "muito importantes por conta do turismo que temos hoje, já que os turistas dão muita importância aos selos que funcionam como garantia de um produto”, uma vez que apesar de os produtores reconhecerem a qualidade daquilo que produzem os selos acabam por ser aquilo que realmente transmite essa garantia para as pessoas que os reconhecem.

Actualmente, diz, o "Mel da Ilha São Miguel” encontra-se apenas à venda nas lojas Casa Cheia de Ponta Delgada, Furnas, Capelas e Ribeira Grande e também na fábrica de Chá Gorreana, salientando que esta distribuição é, de momento, limitada devido ao período experimental em que se encontra e por ser mais importante "garantir a reposição de mel nestes estabelecimentos comerciais”.

No que diz respeito ao ritmo das vendas, Adelino Santos afirma que este tem decorrido normalmente, considerando que tanto na fábrica de Chá Gorreana como nas lojas Casa Cheia os seus produtos têm tido sucesso "mesmo sem que a marca seja muito conhecida”.

Quanto ao produto que é vendido mais facilmente, o produtor que chegou aos Açores em 2004 salienta que é, sem dúvidas, o mel multiflora. Esta escolha deve-se, em primeiro lugar, "pelo preço e depois por ser o tipo de mel mais conhecido e que existe em todo o mundo, enquanto o mel de incenso é especial dos Açores e não se encontra em muitos mais sítios”, sendo também mais caro para o consumidor.

Segundo Adelino Santos, que quando chegou aos Açores decidiu apenas comprar dois enxames de abelhas e começar uma pequena produção de mel, o clima no arquipélago é excelente para a produção de mel uma vez que "há muita floração que é prolongada”, permitindo acumular grandes quantidades de mel multiflora desde que não haja tempo demasiado seco, como aconteceu no ano passado.

"O clima aqui, para mim, é óptimo. Há muita floração que é prolongada e, por exemplo, em Santa Maria da Feira há muito eucalipto que tem uma época em que é predominante mas depois a vegetação começa a escassear.  Aqui a nossa época é mais prolongada, começa mais ou menos em Fevereiro, com o incenso, e vai até Setembro ou Outubro e temos mel multiflora”, explica.

Se no ano passado a dificuldade esteve em colher uma quantidade avultada de mel multiflora, este ano refere que a dificuldade esteve na recolha de mel de incenso, tendo em conta que "os meses de Fevereiro e Março foram chuvosos e com algum vento, e, por isso, o mel de incenso teve uma quantidade mais reduzida”. 

No entanto, adianta, tudo indica que "este ano o tempo será razoavelmente bom” para permitir a produção de mel das várias flores que adornam os campos um pouco por toda a ilha.

Para além de 100% açoriano e biológico – uma vez que não são utilizados herbicidas nas áreas circundantes às colmeias –, Adelino Santos salienta que outro factor importante na qualidade do mel que produz e que é classificado como produto Marca Açores, está no tipo de colmeia que utiliza.

"Outro factor importante na qualidade do meu mel está no facto de utilizar um tipo de colmeia chamada de prática ou industrial onde, devido à sua grande dimensão, a abelha mãe (rainha) não tem necessidade de subir ao compartimento do mel para fazer a sua postura no período anterior à máxima floração (época da fabricação do mel). Portanto, o meu mel, "Mel da Ilha São Miguel”, é retirado apenas de ceras novas que só foram utilizadas para esse fim”.

Um gosto que surgiu quando ainda era criança

Apesar de considerar que a apicultura sofreu diversas modernizações nas últimas décadas, o seu gosto pela apicultura começou quando Adelino Santos era ainda criança, por volta dos 10 anos de idade, quando acompanhava o pai nas actividades que envolviam a sua produção de mel na altura, ainda em Santa Maria da Feira.

"O meu pai sempre fez apicultura e desde que nasci que me lembro de termos abelhas em casa. (…) Desde muito novo, por volta dos 10 anos de idade, que acompanhava o meu pai e já tinha gosto não só pelo manuseamento da apicultura – que tem a ver com todos os trabalhos que estão envolvidos – como também por tudo que lhe está inerente, como o tratamento com ceras e a preparação dos materiais”, conta.

Desse tempo, onde aprendeu praticamente tudo aquilo que sabe com o seu pai, hoje com 93 anos de idade, recorda também as idas às fábricas de material apícola em Rio Mau, junto a Entre Rios, relembrando "o cheiro das ceras novas que emanava daquelas velhas instalações”, uma paixão que entretanto despertou novamente depois de começar a viver nos Açores.

"Sentia a falta desta ocupação que me dava muito prazer, mas entretanto fui fazendo várias coisas e o tempo nem sempre me permitiu estar tão envolvido na apicultura como estou agora”, conclui Adelino Santos.                          


In, Correio dos Açores
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