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"A cortiça é o nosso ouro"
2018-02-27

Albertino Oliveira, director de marketing da "Sedacor", empresa do grupo JPS, é firme adepto de um sector movido a ousadia e inovação

"A cortiça é o nosso ouro". Esta convicção - profunda, diga-se - pertence a Albertino Oliveira, director de marketing das empresas "Sedacor", que fazem parte do Grupo JPS.

Com base no concelho de Santa Maria da Feira, este grupo, que tem na indústria a sua principal força, dedica-se à cortiça desde 1924. A firma-mãe é a "Jorge Pinto de Sá, Lda.", que produz rolhas, contando ainda com três unidades Sedacor que assumem a diversificação da gama de produtos para o mundo. Albertino Oliveira acredita que o sector corticeiro tem muito mais a oferecer aos mercados internacionais e aos consumidores, por contar com cada vez mais firmas e unidades, como as suas, certas de que a inovação e a ousadia é o caminho.

"A cortiça é o único produto em que somos líderes no mundo", sublinhou enfatizando que este ramo tem capacidades e potencialidades "para alavancar outras indústrias" da economia nacional Deu o exemplo do mobiliário, do têxtil e do calçado, relativamente às quais a sua firma até tem inovado, apresentando produtos que muitos julgavam impossíveis de serem confeccionados com aquela matéria-prima genuinamente portuguesa.

Com a JPS a apostar, desde sempre e decisivamente, nas rolhas, vedante natural para o vinho que entretanto venceu uma espécie de guerra mundial aos vedantes em plástico e metal, as Sedacor nasceram para o aproveitamento dos sub-produtos resultantes daquela produção primária.

A Sedacor-sede situa-se em S. Paio de Oleiros, e a Sedacor 2 em Rio Meão, no concelho da Feira. Uma terceira unidade Sedacor está domiciliada em Ponte de Sôr, junto à fonte de matéria-prima.  Em coordenação, fabricam uma gama alargada de produtos: pavimentos e revestimentos, tecidos, placas, rolos e folhas e granulados.

Facturação cresce
O responsável vincou que o desenvolvimento destas três firmas tem sido constante, o que as guindou à condição de maiores facturadoras do grupo: cerca de 18 milhões de euros de volume anual de negócios para as três combinadas, enquanto a JPS original regista 10 milhões.

No seu todo, o Grupo JPS exporta mais de 80 por cento da sua produção, enquanto as Sedacor se ficam pelos 60 por cento. Os mercados? Mais de meia centena de países na Europa Américas, Médio-Oriente, Ásia e África em menor grau.

"A cortiça está a ficar na moda", sublinhou Albertino Oliveira.  Entusiasta de uma experimentação que ajude a definir as novas tendências e necessidades dos consumidores, o empresário realçou que a fileira da cortiça "faz a economia circular há dezenas de anos", reaproveitando mais de 90 por cento dos seus desperdícios. "E não cortamos árvores", acentuou, para vincar uma informação que ainda muita gente no mundo não interiorizou: esta é uma matéria-prima que se renova.

Com olhos em novos nichos de mercado, como o dos consumidores Vegan - aqueles que não consomem ou usam produtos e artigos de origem animal -, reafirmou a quase obrigatoriedade da "inovação como atitude", que não tenha medo de criar um vestido em cortiça de fazer um par de sapatos ou uma bola de futebol neste material ou de criar um tecido em cortiça e com algodão sintético.

Em processo de associar centros de saber, como a Universidade do Porto, ao seu processo de criação, a Sedacor tem sabido fazer evoluir a sua filosofia de gestão, que "passou de uma filosofia de fábrica para uma filosofia de empresa" que deve manter uma postura de "evolução constante", não ficando à espera que o mercado diga o que quer. "Nesta casa somos sonhadores", salientou Albertino Oliveira, referindo que, além da participação em feiras e outros fóruns onde seja possível descobrir tendências, os decisores do Grupo JPS habituaram-se "a ouvir", nomeadamente os clientes e os funcionários, e a ouvir sem preconceitos, na expectativa de que seja possível captar uma boa ideia.

Adiantou ainda que o boom turístico que o país está a passar, com Lisboa e Porto inundados de visitantes, e com crescentes outras regiões em acréscimo de procura deve ser também aproveitado pelo ramo corticeiro. 


Exportar mais
Portugal tem metade da produção de cortiça do mundo, que exporta 80 por cento da produção industrial.  No entanto, segundo Albertino Oliveira, "não chega aos mil milhões de euros" de receitas globais de exportações. O director de marketing da "Sedacor" assinalou, também, que o sector anda nos 900 milhões enquanto o ramo têxtil consegue receitas de cinco mil milhões de euros.

Contudo, considerou positiva as várias campanhas "Intercork", que ajudaram a relançar a liderança da rolha e que apresentam os cada vez mais novos e inovadores produtos e artigos que são produzidos pela indústria corticeira.

In, Diário de Aveiro
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